quarta-feira, setembro 01, 2010

Jeito de ser

Cintilantes pedaços de tempo, lugar, pessoas, vidas, sorrisos. Que agarras, cuidas, amas, e deixas partir. E deixas ficar. Deixas viver de maneira morta, Mas sempre viva. Sorridente. Brilhante. E deixas-te perseguir. E não queres. Não sabes. Não queres sentir nem sabes se o sentes. Pedaços, apenas pedaços. Como que se o resto tivesse voado. Desvanecido. Apenas ainda moram no coração pequenos e tão grandes momentos. Que não sabes porque guardas. Nem deves guardar. São apenas memórias. Que te deixam sem saber o que sentes. O que és. No que te transformaste. Não entendes. Nem queres dizer. Só rimar e fazer sorrir. Só te queres aquecer a ti própria. Queres achar que nada mais interessa. E não percebes. E não te larga. E não consegues largar. E choras num olhar de pena. E não queres. Queres viver. Queres seguir. Queres encerrar. O que nada foi. O que tu criaste e que crias. E te magoas por magoares. E crias a cada momento, na música colocas o teu coração. E ele confunde-se. A cada momento. Ele fecha-se.  A cada novo desafio alcançado. Fecha-se. E é cruel. Não queres.  Queres ser como os outros. Queres perceber. Queres-te deixar. Mas gostas de ti. Nesse teu jeito fútil, confuso. Estás farta. Do que precisas? É sempre o mesmo. E não sabes. Continuas sem saber.  E talvez saibas. Só precisas de te deixar ir. E não queres. Esse teu coração medroso, fútil, desajeitado, que não sabe o que quer, que se mistura entre presentes e passados, entre histórias de sentimentos não acabados e mal começados, que se enrola e enrola numa corda baralhada sem som finito. Numa corda solta. Presa a nada. E a tão tudo! E que não se deixa viver. Não se deixa entregar. Não dá a alma. Só o corpo. E se esconde. Tão escondida em si própria. Com tanto medo! Que a devora. Como uma presa frágil, nua de sabedoria. E eu não quero... Mas o peito bloqueia! Bloqueia todas as vezes, ou só agora? Não se abre, não fala, só escuta, e recusa, e abraça o que lhe convém, o que quer abraçar! E se desculpa no seu jeito de ser. E se esquece. E que amanhã já esqueceu. E que aquece. E arrefece. E que não entende. E não quer entender. E que escreve torto, tão baralhado e tão perfeito, nesse seu tão mimado, inseguro e presunçoso jeito de ser. E que escreve torto. E que fala torto. E mais torto aidna vive. E por estranho que pareça, ainda mais torto sente! Nesse seu jeito tão imperfeito. Que a destrói. Essa sua insegurança e medo do seu próprio coração. E junta amor a tudo! Ou talvez só a algo. Não quer. Nem sabe. Nem quer saber. O que faz?

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