segunda-feira, outubro 04, 2010

Insustentável Boémia do Ser

Alguma vez sentiste que te transformaste? Que algures, no tempo, no espaço, em algum momento, em algum segundo, em algum sentimento, em alguma esperança, te perdeste? Já alguma vez foste capaz de olhar para ti e não te reconheceres? Já alguma vez sentiste que algo ficou para trás, e com ele ficou também algo de ti? Já alguma vez te sentiste fria, incapaz de sorrir, de sonhar, de lutar, de amar?
Nisto, corre dentro de ti uma raiva incontrolável de viver, de rir. Já alguma vez sentiste que te perdeste e que agora não te consegues libertar? E fechas-te no teu canto, nesse canto onde mora o instinto, o furor que renasce e volta a morrer, num ciclo perfeito e infinito... Nesse canto só teu, teu e de mais ninguém, onde podes jurar, mentir, amar tudo, odiar, sofrer, endoidecer. Onde podes tudo. E nada te impede. Já alguma vez sentiste que não podes viver sem esse cantinho só teu? Esse cantinho que toma as mais variadas formas. E no fundo é só um. A voz da tua alma. O seu som a tomar vida. Já alguma vez sentiste que esse canto, sob as estrelas, esse canto paralelo ao céu e à Terra, é tudo o que de mais verdadeiro tens? É o teu, e o meu, e o de todos nós eu, o irracional, o transcendente, o cego, mudo a tudo, mais belo, mesmo que se apresente na sua forma mais doentia. Como um fado profundo, de um fundo sem fim, inexplicável, que nos faz pensar e sentir "estou viva". Uma tristeza tão madura, tão silenciosa, tão portuguesa, tão profunda, tão deliciosa. Esse canto é tudo isto... Um sentimento inconfundível. Uma paz invisível. O canto dos segredos proibídos......
19.09.2010

sexta-feira, setembro 03, 2010

Who?

It was you. And... you. And you, you, you!
Now... who is? Who's here and is gonna be a long, long time? Maybe forever, maybe their forever. And I know! They'll let me all alone, all by myself again. So, I will loose. An I will win. How it's that possible??

Guilty. Em dia de julgamentos...

Ou quase nada, ou quase tudo! Por que é que é sempre tão grande... e tão pequeno? Tão duradouro, e tão ligeiro? Tão discreto e tão à vista. De tal maneira macabro que se estende de um extremo, ao outro. E depois pequenas peças encaixam-se para formar um puzzle ainda mais doloroso. Um puzzle nunca completo, ou completo demais. Sempre as dúvidas existenciais! Hoje relembrei-me. E custou. Fez-me sentir algo estranho, uma confusão de tempos. Porque se calhar os tempos para mim sempre foram demasiado separados... E que curioso, tão vago e tão concreto! Para quem tem que ser... Ou talvez não. Culpa. Hoje, inunda-me a culpa... Inunda-me saber que não tenho. Ou que em algum lado se perdeu...

Desculpa.

Há pedaços de alma desencontrados.
O peito chora, sento o que não diz.
Nessa guerra de batimentos irreconhecíveis,
meu coração, és feliz?


25. Do 11.

Esta é a prova...

Algo escondido,
tormento preso, trancado.
Do coração GRUNHIDO...
Da vida, amor, amado...

Porquê tais inquietações, lamentáveis
tais dores sufocadas
Quais inseguranças? Inexplicáveis
Vida querida, então embora dorida!
Sentida, desejada e tão esperada
Esta felicidade encantada, esta tristeza amaldiçoada!

Tal confusão, do querer e ter, do tocar e ver
Do chorar cá dentro, do gemer... o peito
E nesta tão grande aflição...
Por que bate o coração??

Meu enfeitiçado tremendo segredo, não amas? não chamas? não queres amar?

Cego, mudo, calado. Não viverei em sorriso descansado.

Amar? Esta brisa silenciosa corta, não respiro. Não me mintas.



28.09.09

quarta-feira, setembro 01, 2010

Desaventuras de 2009

(...)

Se há tanto por viver,
Ainda há tanto por explicar.
Colho sorrisos de esperança,
Desmancho rimas e pedaços de tempo
Ligeira a euforia e duradouro o contratempo,
Falta que aproves a dança.

Falsas harmonias e penetrantes descontentamentos,
Perdidos e encontrados sempre que o coração chora.
A saudade estará viva, a força estará morta?
A mágoa fica, a magia vai embora.

Morreu a delicadeza, ergue a alma,
Se a coragem não te ajuda, pede a calma.
Caminho frio na sensação quente,
No final estarás tu, mas estará ele, reluzente?


09.03.09

Tu aí

Tu aí, ó morte que permaneces viva,
Ó ser melancólico que te vais desfazendo,
Ó tu, possuidor de forte cobardia:
Serás um monstro mesquinho,
Cuja multidão te sufoca?
Serás um bicho ingrato, sozinho,
Pois encaras cada dia como uma derrota?
Serás ingénuo, por não conhecer …
Ou um fracasso, por não perceber?
Noto que no tesouro, vês uma pedra
E na presença, encontras o desconhecido.
Se para ti, quem reina é a inutilidade
Terá o sentido, terá esse traiçoeiro perecido?
Pede ao pai do mundo e das histórias,
Que me leia o coração e o escreva no meu pensamento.
Esclareço-te que sei o que sinto
Dá-me então só a tranquilidade, e leva o sofrimento.

Murmúrios da Utopia

Ouvi murmurar palavras mágicas e sonhadoras.
Ouvi segredar o canto de um pássaro num mundo distante.
Ouvi sussurrar sorrisos perdidos nas ondas da maré.
Ouvi murmurar uma alma sozinha de um olhar vazio; empobrecido.

Descobri: a alma voara nas asas utópicas de uma borboleta esplêndida e maravilhosa.
Descobri: partira, solitária, para se afogar no oceano de felicidade eterna.
Descobri: a melodia de um pássaro anunciando a inacreditável perfeição daquele longínquo reino.
Descobri: as palavras magníficas e silenciosas do sol da manhã.
Descobri: as gargalhadas esquecidas, relembradas no fascínio do luar.

Dancei no pensamento arrasador de ir e jamais voltar.
Dancei e pulei no pensamento entusiasmado de uma fantasia tornada verdadeira.
Dancei e pulei no pensamento incansável dessa extraordinária simplicidade.
Dancei e pulei no pensamento ansioso dessa alegria quieta, calada; muda, mas poderosamente completa.

They just... coexist.

"A felicidade e a tristeza não são como a água e o azeite. Elas coexistem."

P.S.: Porque eu já gostava de Saramago, antes de ele morrer!

Jeito de ser. Porque senti que não estava completo.

E estou farta. Tão triste, magoada. Abandonaram. Todos. Deixaram-me. E crio isto, para. Olha. Para! Farta. Eu quero-a. À melodia. Qual delas? E não me faz bem. Inventa, mente! Mas ele nunca se abre! E porque queres? Que queres tu?! Porque és assim? O que queres, é amar? Tu não deixas... E inventas! és tão má. Tão fútil. Horrível. E choras num pedaço de coração que não existe. Cala essa melodia feia! Não finjas... Não cries amor... Sente-o. Vive-o! Ama-o! Deseja-o! Ama. Num pequeno gesto. Leve. Que a brisa leva... E que traiçoeiramente deixa contigo. Entras tu? Por pena?! Porque mudou?! Eu não quero, eu quero! Eu quero! E detesto abrir o peito, que ele só me magoa! E quero ser feliz, e quero sentir de maneira diferente! E que faço? Liberta-me. Quem? Eu própria... Liberta-te. Larga-te do passado. Larga-o. Abandona-o. Como ele te fez. Vinga-te! RENASCE. E tu consegues. Mas tens de o deixar... Tens de "abrilhantar" essa alma escura, baça, inalcançável, que se mostra como um desafio à altura de qualquer um... Sorri. Mas não queres. Porque não podes, nem consegues. Porque há angústia. Nesse coração débil que desesperadamente não quer amor, quer amar! E que se estilhaça, e que vira pedra, cruel, triste, má, nojenta. Nesse jeito que não sou. Nesse desabafo calado. Que só ela percebe. Que não a ajuda. E que mesmo que ajude, ela não aceita, não se conforma. Ela desconfia... ela não se sente certa.

Jeito de ser

Cintilantes pedaços de tempo, lugar, pessoas, vidas, sorrisos. Que agarras, cuidas, amas, e deixas partir. E deixas ficar. Deixas viver de maneira morta, Mas sempre viva. Sorridente. Brilhante. E deixas-te perseguir. E não queres. Não sabes. Não queres sentir nem sabes se o sentes. Pedaços, apenas pedaços. Como que se o resto tivesse voado. Desvanecido. Apenas ainda moram no coração pequenos e tão grandes momentos. Que não sabes porque guardas. Nem deves guardar. São apenas memórias. Que te deixam sem saber o que sentes. O que és. No que te transformaste. Não entendes. Nem queres dizer. Só rimar e fazer sorrir. Só te queres aquecer a ti própria. Queres achar que nada mais interessa. E não percebes. E não te larga. E não consegues largar. E choras num olhar de pena. E não queres. Queres viver. Queres seguir. Queres encerrar. O que nada foi. O que tu criaste e que crias. E te magoas por magoares. E crias a cada momento, na música colocas o teu coração. E ele confunde-se. A cada momento. Ele fecha-se.  A cada novo desafio alcançado. Fecha-se. E é cruel. Não queres.  Queres ser como os outros. Queres perceber. Queres-te deixar. Mas gostas de ti. Nesse teu jeito fútil, confuso. Estás farta. Do que precisas? É sempre o mesmo. E não sabes. Continuas sem saber.  E talvez saibas. Só precisas de te deixar ir. E não queres. Esse teu coração medroso, fútil, desajeitado, que não sabe o que quer, que se mistura entre presentes e passados, entre histórias de sentimentos não acabados e mal começados, que se enrola e enrola numa corda baralhada sem som finito. Numa corda solta. Presa a nada. E a tão tudo! E que não se deixa viver. Não se deixa entregar. Não dá a alma. Só o corpo. E se esconde. Tão escondida em si própria. Com tanto medo! Que a devora. Como uma presa frágil, nua de sabedoria. E eu não quero... Mas o peito bloqueia! Bloqueia todas as vezes, ou só agora? Não se abre, não fala, só escuta, e recusa, e abraça o que lhe convém, o que quer abraçar! E se desculpa no seu jeito de ser. E se esquece. E que amanhã já esqueceu. E que aquece. E arrefece. E que não entende. E não quer entender. E que escreve torto, tão baralhado e tão perfeito, nesse seu tão mimado, inseguro e presunçoso jeito de ser. E que escreve torto. E que fala torto. E mais torto aidna vive. E por estranho que pareça, ainda mais torto sente! Nesse seu jeito tão imperfeito. Que a destrói. Essa sua insegurança e medo do seu próprio coração. E junta amor a tudo! Ou talvez só a algo. Não quer. Nem sabe. Nem quer saber. O que faz?